
O Sindimotosp subiu o tom contra as plataformas digitais e cravou que só existe um caminho para barrar a exploração e forçar as multinacionais de aplicativo a respeitarem os direitos trabalhistas e sociais da categoria: a imposição de uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
O sindicato dos motoboys de São Paulo deixa claro que o setor de motofrete não precisa de remendos, novas regulamentações ou manobras jurídicas do próprio governo federal ou brechas encontradas pelas empresas de app, uma vez que a profissão já é amplamente respaldada por leis federais vigentes.
A entidade exige que a força desse instrumento histórico, fruto de décadas de sangue e suor nas ruas de São Paulo, seja aplicada imediatamente para garantir o que é de direito, incluindo o reajuste anual obrigatório nas taxas de todas as entregas.
A ofensiva sindical ganha peso internacional ao evocar as próprias diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que baliza o dever dos países membros em assegurar a proteção social através da negociação coletiva, conforme resultado da 114ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT (Organização Internacional do Trabalho), realizada em Genebra, na Suíça, que aprovou em 12 de junho de 2026 a inédita Convenção nº 193 sobre Trabalho Decente na Economia de Plataforma.
O Sindimotosp relembra o histórico amplamente favorável das CCTs no regime CLT para provar que nenhum direito foi dado de graça pelas empresas, mas sim arrancado com greves e mobilizações históricas.
O sindicato reitera que os entregadores não aceitarão ser tratados como engrenagens descartáveis de um sistema bilionário e que as plataformas terão que sentar à mesa e assumir sua responsabilidade social, por força da lei, ou seja judicialização da questão..
O recado final da categoria é um ultimato contra a precarização digitalizada que escraviza os entregadores sob o disfarce da modernidade. Enquanto os aplicativos se esconderem atrás de algoritmos covardes para negar direitos básicos, as ruas continuarão sendo o cenário de revolta, pois a dignidade do motoboy não está (e nunca estará) à venda e só será garantida através de Convenção Coletiva.